Dra. Joana Amaral mostra por que o pós-operatório facial é decisivo para o sucesso de uma cirurgia plástica
Quando o assunto é cirurgia plástica facial, a maioria das pessoas concentra toda a atenção na escolha do cirurgião. No entanto, especialistas alertam que o sucesso do procedimento não termina na sala de cirurgia. A fase de recuperação é considerada um dos pilares para garantir uma cicatrização adequada, reduzir complicações e alcançar o resultado planejado. Com 19 anos de atuação e reconhecimento internacional, a fisioterapeuta dermatofuncional Dra. Joana Amaral tornou-se referência no pós-operatório facial, formando profissionais no Brasil e no México e defendendo uma abordagem baseada em ciência, avaliação individualizada e reabilitação especializada.
Segundo a especialista, toda cirurgia provoca uma resposta inflamatória natural do organismo e é justamente nessa fase que o acompanhamento adequado faz toda a diferença.
“A cirurgia plástica gera um processo inflamatório importante na região operada. O paciente precisa ser reabilitado, e isso exige um profissional que saiba avaliar cada fase da recuperação para utilizar os recursos corretos e entregar o resultado esperado da cirurgia. Ainda existe um grande equívoco de acreditar que pós-operatório se resume à drenagem linfática. Eu sempre digo que pós-operatório não é apenas drenagem linfática.”
Para a Dra. Joana, um dos erros mais frequentes acontece logo após a cirurgia, quando o paciente acredita que basta aguardar o tempo passar para se recuperar completamente.
“O principal erro é não procurar um especialista em pós-operatório. Isso pode favorecer complicações que comprometem diretamente o resultado da cirurgia. Outro problema comum é subestimar o procedimento e não respeitar o repouso necessário durante os primeiros dias.”
Embora praticamente toda cirurgia facial possa se beneficiar da fisioterapia dermatofuncional, alguns procedimentos exigem atenção ainda mais específica.
“Nos casos de lifting facial e lipoaspiração de submento, conhecida como cirurgia da papada, a reabilitação especializada é fundamental. Trabalhamos tanto na prevenção quanto no tratamento de fibroses, além de acompanhar a cicatrização para evitar complicações como abertura da incisão.”
O tratamento vai muito além da drenagem linfática tradicional. A especialista explica que hoje existem protocolos modernos capazes de acelerar significativamente a recuperação.
“Utilizamos recursos terapêuticos como taping, tecnologias específicas para cada alteração e técnicas de drenagem adaptadas a cada cirurgia. Um dos grandes avanços é a fotobiomodulação, que auxilia no controle da inflamação e acelera o processo de recuperação dos tecidos.”
Outro ponto destacado pela fisioterapeuta é a importância da avaliação clínica durante todo o pós-operatório.
“Quem sabe avaliar, sabe tratar. As técnicas mudam conforme a fase da recuperação ou conforme as complicações que surgem. Se identificamos sinais como hemorragia ou deiscência da cicatriz, a comunicação imediata com o cirurgião é indispensável. Essa parceria entre os profissionais é essencial para a segurança do paciente.”
Segundo ela, o acompanhamento especializado interfere diretamente no resultado estético final da cirurgia ao prevenir alterações que podem comprometer o procedimento.
“Quando tratamos rapidamente complicações como seromas, que são acúmulos de líquido, conseguimos evitar deformidades e preservar o resultado planejado pelo cirurgião.”
Além da atuação clínica, Dra. Joana também dedica parte da carreira à formação de médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais da saúde. Para ela, o reconhecimento da fisioterapia dermatofuncional cresceu significativamente nos últimos anos.
“Os cirurgiões mais atualizados valorizam profundamente o pós-operatório realizado por especialistas. Eles sabem que alterações como fibroses aparentes, limitações de movimento e outras complicações precisam de um profissional preparado para conduzir a reabilitação e devolver qualidade ao resultado cirúrgico.”
Sua experiência internacional também permite comparar diferentes cenários de atuação. Enquanto o Brasil lidera o número de cirurgias plásticas no mundo, a demanda por especialistas em pós-operatório facial ainda supera a oferta.
“O Brasil possui um volume muito grande de cirurgias, mas ainda faltam especialistas em pós-operatório facial, já que muitos profissionais atuam apenas na área corporal. No México, esse mercado também está crescendo. Há três anos ministro formações para fisioterapeutas mexicanos e fico muito feliz em ver excelentes resultados sendo alcançados pelos alunos.”
Para quem está se preparando para uma cirurgia facial, a especialista reforça que alguns cuidados são indispensáveis para uma recuperação tranquila.
“Respeitar o repouso, manter cabeça e pescoço na posição correta e realizar todo o acompanhamento com um especialista são atitudes fundamentais para reduzir riscos e favorecer uma recuperação mais confortável.”
Ao final, Dra. Joana deixa um alerta para pacientes que ainda enxergam o pós-operatório como um detalhe secundário.
“Se você escolheu um excelente cirurgião e deseja alcançar o melhor resultado possível, saiba que o pós-operatório representa cerca de 50% do sucesso da cirurgia. Já acompanhei pacientes que realizaram procedimentos tecnicamente impecáveis, mas tiveram resultados comprometidos porque não deram a devida importância à recuperação. Hoje, aproximadamente 30% dos pacientes que chegam à minha clínica vêm de outros profissionais após um pós-operatório inadequado. Planeje sua cirurgia, mas planeje também o seu pós-operatório. Ele é parte fundamental do tratamento.”
